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domingo, 10 de abril de 2016

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

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              Os antigos gregos cultivavam a beleza nas artes e nas letras tanto como apreciavam a força física natural. Por isso concederam a Hércules as mais altas honras entre todos os seus heróis e tornaram-no como símbolo da força. A frase "os trabalhos de Hércules" chegou a ser conhecida e empregada em todo o mundo, e alguns destes trabalhos citam-se isolados, muito frequentemente. Por exemplo: "limpar as cavalariças  de Augias" significa limpar alguma coisa quase impossível de ser limpa. 
               Hércules, na sua juventude, despertou a inveja de Euristeo, rei de Argolis, ao qual os deuses tinham conferido poder para realizar uma serie de serviços. Euristeo encarregou Hércules de realizar as doze difíceis tarefas que veremos a seguir. 
A serpente de cem cabeças 
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                  Hidra era uma serpente aquática de sete ou de nove cabeças que cresciam instantaneamente quando as cortavam. Semelhante monstro causou estragos na província de Argolis devorando homens e animais que atraia ao pântano onde se refugiava. 
                  Hércules recebeu a ordem de matá-la e, ajudado pelo seu amigo Yolas, cortou a cabeça da fera e aplicou tochas acesas nas feridas; depois molhou as suas flechas no sangue venenoso, para que as suas feridas se tornassem incuráveis. 
A morte do leão 

                Na província de Argolis havia um terrível leão que chegou a ser o terror dos habitantes. Sempre que sentia fome saia da floresta e passava a devorar as pessoas que encontrava pelo caminho.  A fera era tão grande quanto temida e ninguém nunca teve coragem de enfrentá-la; não havia flechas  ou outras armas que conseguissem trespassar a sua pele. Apesar de todo o perigo, Hércules apanhou o leão com os seus poderosos braços, obrigou-o a deitar-se no chão sobre as espáduas e cainho de joelhos sobre ele estrangulou-o com as mãos. Em seguida o herói tirou-lhe a pele e passou a usá-lo sobre seus ombros.  
A prisão da corça sagrada. 
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                Nas montanhas Ceryneas vivia uma linda corsa que era consagrada a Diana, a deusa da caça. Tinha as hastes de ouro, e corria tão velozmente que ninguém conseguia apanhá-la. Hércules foi incumbido de capturá-la e levá-la viva à presença de Euristeo; e, depois de uma longa caçada, que durou mais de um ano,  o nosso herói conseguiu apanhá-la numa caçada nas florestas do sul da Grécia.  
                 Ao regressar vencedor, soube que Diana estava furiosa; mas a deusa ficou muito entusiasmada quando tomou conhecimento sobre a história do herói.
As cavalariças de Augias

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                Um dos trabalhos de Hércules, que chegou a ser conhecido em todo o mundo, foi a limpeza das cavalariças (currais) de Augias; pois essa era a forma que se chamava qualquer tarefa impossível de ser realizada. 
                Augias era o rei de Elida e proprietário de cerca de três mil cabeças de gado. As cavalariças onde ficavam os animais nunca eram limpas e, dessa forma, chegaram a ficar tão sujas que sua limpeza parecia impossível. 
                Hércules incumbiu-se dessa grande tarefa. Para executá-la derrubou um muro de forma a desviar o curso de um rio fazendo-o passar pelas cavalariças (currais). Com inteligência e fazendo uso da água do rio ele conseguiu essa grande façanha. 
O javali da Arcádia
                No monte de Erymantho mora um enorme javali que chegou a destruir toda a vizinhança da cidade. Sai sempre em excursões matando pessoas e animais que encontrava em seu caminho. 
                Hércules foi encarregado de capturá-lo. A fera já tinha resistido a todos os ataques astuciosos dos pastores e caçadores de Arcádia e sempre continuava suas destruições. Ao ver Hércules, a fera que já conhecia sua história, deu meia volta e fugiu rapidamente para as montanhas onde seu perseguidor consegui apanhá-la e finalmente levá-la à corte do rei Euristeo: Mas o soberano tinha tanto medo daquela fera que foi esconder-se dentro de um barril para não vê-la. 
Os pássaros com azas e metal

              O lago de Stymphale, na Arcádia, era cercado por florestas pantanosas que estavam  minadas por aves de rapina cujas azas, garras e cabeças eram de metal; e só se alimentavam com carne humana e de animais domésticos. 
               Ninguém mais estava seguro e por isso Hércules foi chamado pelo rei para destruí-las; mesmo o herói encontrou grandes dificuldades para tal tarefa pois seus ninhos era inacessíveis; lembrou-se então de Minerva, deusa dos heróis, e esta deu-lhe uma espécie de corneta de metal que fazia muito barulho e com som muito agudo. Hércules posicionou-se  ao lado do lago e começou a tocá-la com toda sua força; imediatamente os pássaros assustados com aquele enorme barulho, fugiram abandonando seus ninhos. Hércules, com suas flechas envenenadas, matava-as no momento em que atravessavam pela sua frente. 
O terrível touro de Creta.

               Minos, rei de Creta, ilha situada ao sul da Grécia. prometeu a Netuno, deus dos mares, sacrificar-lhe um touro; em vista do tamanho e beleza do animal, Minos achou que era preferível ficar com ele. Mas, em pouco tempo, o furioso animal começou a destruir as searas da ilha. Hércules foi chamado à presença do rei e incumbido de caçá-lo vivo. 
               Aconteceu, porém, que Euristeo deixou-o em liberdade. O touro, atravessou o istmo -(estreita faixa de terra)-de Corinto e foi devastar o vale de Marathon em Ática.
Os cavalos que comiam homens
              Diomedes, rei da Trácia, foi tão cruel que chegou a adquirir o hábito de jogar todos os forasteiros que chegavam à sua corte para seus animais devorá-los.
              Hércules, em companhia de alguns corajosos amigos, foi até Trácia e juntos atacaram o poderoso tirano e em seguida jogaram-no para seus próprios cavalos devorá-lo.  Em seguida Hércules afugentou os animais fazendo-os atravessar o mar e levando-os a Micenas, onde os obrigou a refugiarem-se nas montanhas que ali foram despedaçados por outras feras. 
O cinturão da rainha das amazonas.
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               O nono trabalho de Hércules obrigou-o a fazer uma longa viagem. Fora enviado à procura do cinturão de Hypólita, rainha das belicosas amazonas que viviam em Scythia, país que depois passou a ser a Rússia. 
                Uns dizem que, depois de ferozes combates, conseguiu matá-la e outros afirmam que apenas a fez prisioneira, obrigando-a a casar-se com o seu amigo Tereno; o importante é que conseguiu o objetivo desejado e levou seu famoso cinturão a Euristeo. 

O combate com os gigantes. 
                            
               Longe da Grécia, no oceano denominado Oriental, havia uma ilha de gades.Uns viajantes vindos de lá deram a notícia da existência d'um gigante chamado Geryon, que possuía um belo rebanho e um cão para vigiar. Este cão tinha duas cabeças.
                Hércules foi mandado para apoderar-se do rebanho. Muitos poetas gregos escreveram sobre este assunto, destacando entre os feitos mais heroicos, aquele em que, extenuado, Hércules quis matar, com as duas flechas o deus sol, o qual admirado de tal audácia, deu-lhe uma grande jarra de ouro na qual ele foi, por mar, à ilhota, atravessando o estreito de Gibraltar. 
                Conseguiu matar o cão das duas cabeças e os guardas, mas no momento em que se dispunha a retirar-se, com o rebanho, apareceu Geryon, que o agarrou com força. 
                Depois dessa terrível luta o gigante ficou vencido, mas, mesmo assim, Hércules não conseguiu realizar seu intento pois apareceu outro gigante que cuspia fogo e roubou-lhe várias cabeças de gado, forçando-os a andar para traz, de marcha ré, de forma que suas pegadas não fosse vistas e escondeu-as num subterrâneo.  Mas, apesar de tudo, tal precaução não surtiu efeito e Hércules ouviu-lhes os passos e pode finalmente recuperar os animais e matar Caco. 
         As maçãs de ouro 
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                Num lindo país do Oeste da África viviam uma ninfas chamadas as Hespérides, cuja missão era vigiar a fruta que a mãe terra tinha oferecido à deusa Juno como prenda de casamento.
                Um dragão que nunca dormia guardava os pomares onde se produziam as maçãs de ouro e o caminho que para ali conduzia era cheio de enormes dificuldades. 
                Depois de muito caminhar e enfrentar cruéis luta com gigantes, todas com bom resultado, Hércules conseguiu apanhar Nereo, um dos deuses do mar, o qual se transformou de mil maneiras quando tentava livrar-se dos braços que o retinham; mas vendo a inutilidade dos seus esforços, recuperou a sua forma natural e enviou Hércules para buscar Atlas que o ajudou a procurar a fruta tão desejada com a condição de que este devia sustentar o peso do mundo enquanto ele estivesse ausente. 
O roubo de Cerbero 

                 À entrada de Hades, moradia dos mortos, estava de guarda um cão de três cabeças chamado Cerbero, e a sua missão era impedir a entada e vivos ou a saída dos mortos. 
                 Plutão, o rei sombrio do país dos mortos, concedeu a Hércules o favor de levar o cão para a plena luz do dia com a condição de que não fizesse uso das suas armas. Hércules conseguiu o seu intento devido à sua força corporal e chegou a devolver o cão ao seu dono sem lhe ter causado nenhum mal. 
                 Já livre dos seus trabalhos, Hércules foi viajar pelo mundo, levando a cabo milhares de façanhas heroicas e nobres. 
                NOTA FINAL
                Nestas histórias de Hércules devemos ver a representação poética  da humanidade, o símbolo dos homens generosos que combatem os males que afligem nosso planeta Terra. 
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Nicéas Romeo Zanchett





sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O CASTIGO DE ARACNE - Nicéas Romeo Zanchett


O CASTIGO DE ARACNE 
Por Nicéas Romeo Zanchett
                   Aracne foi uma belíssima tecelã que vivia na Lídia e era muito talentosa para criar lindos desenhos para seus artísticos bordados.
                    Para admirar seu belíssimos trabalhos todos gostavam de visitá-la em seu atelier. Um dia ela recebeu a visita de duas ninfas que viviam num bosque próximo à sua casa. Admiradas por seu talento, elas lhe perguntaram: 
                    - Quem te ensinou a fazer esses belíssimos bordados? Com certeza foi a deusa Minerva!
                    - A deusa Minerva? respondeu com orgulho a jovem tecelã. Estão muito enganadas. Todos os meus bordados são fruto de minha imaginação e habilidade. Minerva nunca me ensinou nada!
                    - Você é mesmo muito soberba, Aracne, replicaram as ninfas. Pois deveria venerar a deusa, em lugar de desprezá-la. Que é habilidosa e capaz, não há duvida; entretanto, nenhum mortal pode competir com a deusa Minerva, filha de Júpiter! 
                    Em seguida retiraram-se, em sinal de reprovação ao que lhes dissera a bela e orgulhosa jovem tecelã. 
                     Passados alguns dias, Aracne ouviu que a estavam chamando à porta de sua casa.  Era uma senhora muito velhinha, com o rosto já coberto de rugas e cabelos muito brancos e ralos que cobriam sua fronte. A estranha anciã suplicou humildemente: 
                     - Tenho ouvido muitos elogios ao seu trabalho e gostaria de admirá-los. Me deixa entrar um pouquinho para apreciá-los de perto?  
                     - Pois não minha boa vovozinha, pode entrar! - respondeu Aracne gentilmente.
                     - A velhinha entrou e mancando apoiada em uma bengala, caminhou lentamente aproximando-se do tear da jovem tecelã. 
                     - Realmente você é muito talentosa - disse meigamente - mas é melhor que não seja muito orgulhosa por isso. Ouvi as pessoas falarem o que você disse às ninfas do bosque e vim até aqui para lhe dar um conselho. Não desafies a deusa Minerva. A nunca conheceu alguém que tivesse mais talento que ela e, se viesse até aqui e visse seu trabalho, certamente haveria uma competição na qual você sairia vencida. 
                       Mas Aracne não se intimidou e disse: 
                       - Já falei e repito, não tenho medo e estou pronta para competir com ela quando quiser, respondeu impetuosamente Aracne.  

                       Ao ouvir essas palavras, a velhinha que até então estava curvada, ergueu o busto, endireitou o o corpo tornando-se esbelta e elegante; as rugas desapareceram de seu rosto, os cabelos se encorparam e tornaram-se vistosamente ruivos, e as vestes velhas e surradas transformaram-se em riquíssimos trajes.. 
                       - Heis-me aqui, Aracne. Você queria competir comigo, pois estou aqui. vamos ver quem é mais habilidosa. 
                       A deusa sentou-se diante de um tear de oro,  que ali foi levado por mãos invisíveis, e a mortal donzela tecelão foi sentar-se junto ao seu tear de madeira. 



                      Ambas trabalharam dias e noites, sem descanso, silenciosamente. O desejo de vitória que cada uma tinha dava-lhes força e tornava-as infatigáveis. 
                      Minerva produziu, em sua tela, o Monte Olimpo com o palácio de Júpiter e todos os deuses. Aracne, por sua vez representou algumas aventuras e episódios da vida dos próprios deuses. 
                     Os dois trabalhos ficaram maravilhosos, absolutamente impecáveis. As figuras bordadas pareciam vivas, dotadas de movimentos, animando com sua presença os fundos perfeitamente desenhados e de harmoniosos coloridos. Mas o trabalho de Minerva resplandecia como iluminado por uma luz misteriosa... E isso não acontecia com a belíssima obra de Aracne. 
                     - Seu trabalho é realmente esplêndido, sem qualquer defeito, disse a deusa, com acentuação severa na voz e trêmula ira. - No entanto, o meu possui uma luz divina, que nenhum trabalho mortal poderá ter! 
                     Sentido-se vencida e humilhada, Aracne inclinou a cabeça. 
                     E então Minerva, com voz terrível, disse-lhe: 
                     - Que tua arrogância seja castigada!  E com suas implacáveis mãos destruiu o trabalha da jovem tecelã. 
                      A comoção de Aracne foi tão violenta que ela sentiu-se desfalecer e pensou que estava morrendo.
                    - Não! Você não morrerá! afirmou a deusa com a voz já um tanto meiga e vencida pela compaixão. Viverá, embora sob outra forma, e sua vida sempre estará pendente de um fio...
E assim dizendo, tocou Aracne com a ponta de sua lança. O corpo da donzela começou a contrair-se, a reduzir-se, tornando-se pequeno e escuro; os braços e pernas dividiram-se pata formar oito patas e a sua formosa cabeça transformou-se em cabeça de um bicho estranho, de olhos saltados... A soberba donzela fora transformada em aranha.  
                   Foi a partir desse dia que a aranha passou a tecer e tornar a tecer a sua teia, cujos fios, na sua delicadeza, refletem os raios do sol.
 
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Nicéas Romeo Zanchett 
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terça-feira, 4 de junho de 2013

O NASCIMENTO DE MINERVA, FILHA DE JÚPITER

O NASCIMENTO DE MINERVA, FILHA DE JÚPITER
                  Apesar de ser um deus, Júpiter, às vezes, padecia de certas dores físicas, como qualquer mortal. Um dia acordou com fortes dores de cabeça e, como era muito impaciente, pensou: 
                  - Preciso acabar com essa dor; o melhor é abrir logo a minha cabeça para saber o que há lá dentro que me causa tanta dor. 
                  Imediatamente mandou chamar seu amigo Vulcano; era o deus mais feio do Olimpo; por ser ferreiro, estava sempre sujo de fumaça e carvão produzidos por sua forja, onde passava o dia inteiro a trabalhar. Todos os conheciam porque era o ferreiro do Olimpo. De suas prodigiosas mãos saiam os mais diversos objetos de metal e ferro, além de joias com cintilantes pedras preciosas incrustadas em ouro e prata. 

                  Ante o chamado imperioso de Júpiter, Vulcano, que além de feio era coxo e caminhava puxando de uma perna para o lado, foi logo atender o deus. Lá chegando disse ao soberano: 
                  - Pronto - estou aqui para atendê-lo. 
                  Então Júpiter explicou que estava sentindo uma terrível dor de cabeça, e ordenou que lhe abrisse o crânio para ver o que havia de errado ali. E disse-lhe:
                  - Não hesite! - abra logo meu crânio - já não estou mais suportando essa dor.
                  Perante esta estranha ordem, Vulcano ficou sem saber o que fazer, mas resolveu obedecer e, com uma machadada precisa, rachou o crânio do deus em duas partes.
                   Qual não foi seu espanto! ... Como um pintinho que sai do ovo, uma linda mulher saiu da cabeça do soberano; sua beleza era surpreendente. Sobre seus cabelos ruivos cintilava um belo capacete de ouro; seu peito era protegido por uma fulgente couraça de aço polido; em sua mão reluzia uma aguda lança. Surgiu desferindo um grito de júbilo. Todos os deuses correram para saudar e festejar a maravilhosa deusa Minerva, nascida da cabeça de Júpiter. 
                    Minerva é a deusa dos artesãos, mas tinha muitos outros atributos. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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No próximo episódio a deusa Minerva dá uma lição de humildade na artesã Aracne, que era muito orgulhosa.
Nicéas Romeo Zanchett

 

JÚPITER RECONQUISTA SUA AMADA JUNO


JÚPITER RECONQUISTA SUA AMADA JUNO
                  Júpiter já não aguentava mais a saudade de sua amada Juno. Pensando no melhor modo de resolver a situação, lembrou-se que na Beócia vivia o rei Cítero, famoso por sua astúcia. Imediatamente foi ter com ele e narrou-lhe o que tinha acontecido. Cítero, homem bastante habilidoso, mandou fazer uma belíssima boneca de madeira, do tamanho de uma mulher; mandou vesti-la ricamente e com toda a arte; colocou-a num carro puxado por majestosos touros brancos, de enormes chifres. Mesmo de perto, parecia uma mulher de verdade e, mais ainda, uma ninfa celestial. 
                   - Espere-me em meu palácio, disse a Júpiter, e deixe-me agir. 
                   Pôs o carro em marcha e começou a percorrer a terra, anunciando por toda a parte que sua companheira era a noiva de Júpiter. Seu objetivo, obviamente, era provocar ciúmes em Juno, o grande amor que Júpiter queria reconquistar. 
                   Certa manhã, a velha madrinha de Juno, Macri, soube do que iria acontecer, ou seja, um novo casamento de Júpiter. Imediatamente foi contar à sua afilhada. Juno, ao saber que seu amado já estava para se casar com outra, ficou muito despeitada e sofreu amargamente.
                  O plano de Cítero dera certo. A deusa Juno, não se conformou com aquela situação e, sem perder tempo, saiu à procura do carro; ao avistá-lo foi em sua perseguição. Quando o alcançou, morrendo de ciúmes, num arrebatamento de ira, atirou-se contra a boneca, rasgando-lhe as ricas vestes e arrancou o véu que lhe vedava o rosto... Qual não foi sua surpresa e desapontamento, quando viu que sua rival não passava de uma boneca de pau!
                  A princípio ficou muito zangada com Júpiter por tê-la feito de boba perante todos. Mas, logo a seguir, compreendeu que ele havia recorrido a esse estratagema porque a amava muito e ansiava pela reconciliação. Convencida, Juno se pôs a rir e ocupou, no carro, o lugar da suposta rival.
                     Cítero, então, levou-a de volta para os braços de Júpiter, que não se cabia de tanto contentamento. O ciúme e o medo de perder seu amor, fizeram-na compreender que foram feitos um para o outro.
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Nicéas Romeo Zanchett 
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LEIA TAMBÉM > AS FÁBULAS DE LA FONTAINE
No próximo episódio, você saberá como foi o nascimento MINERVA, filha de Júpiter e Juno.
Nicéas Romeo Zanchett  

O CASAMENTO DE JÚPITER

                                                     O CASAMENTO DE JÚPITER
             Tudo estava bem no palácio, mas Júpiter sentia a falta de uma companheira que lhe fose totalmente fiel; sabia que uma esposa viria alegrar sua vida; desceu à terra e encaminhou-se para a ilha de Eubéia, onde morava uma bela jovem chamada Juno; ela tinha grandes olhos azuis, cabeleira longa e braços branquinhos como a neve. Juno residia em companhia de de sua madrinha, a velha e amorosa Macri. 
               Era inverno e fazia muito frio, mas, mesmo assim a jovem Juno resolveu dar um passeio pelos campos. De repente, percebeu o rumor de asas, e um pássaro de penas escura pousou em seu ombro; era um pardal, que tremia de frio. Juno acariciou-o com doçura, acalentando-o com seu suave sopro morno para enxugá-lo da neve que caía.  Mas subitamente, o pardal voou e, em seu lugar, apareceu a majestosa figura de Júpiter.


                    - Oh, belíssima Juno! disse-lhe o deus. Desejo que seja minha esposa e que venha morar comigo no palácio do Monte Olimpo. Ela sentiu-se muito honrada e foi embora com o deus Júpiter, não sem antes avisar sua querida madrinha, que ficou muito feliz com a notícia.
                    O casamento foi celebrado com grandes festas e os deuses acolheram com júbilo a nova soberana.  A festa no palácio durou vários dias e noites.

                    Júpiter e Juno amavam-se muito, mas não se pode dizer que sempre viveram em harmonia.
                    Como se sabe, o rei dos deuses tinha um gênio muito difícil; era impetuoso e não aceitava ser contrariado. Uma de suas exigências, causada pelo seu ciúme, é que Juno nunca deveria sair do Olimpo. Ela nunca gostou disso e quando ele se ausentava  para realizar uma viagem à terra, em cumprimento de seus deveres de soberano divino, sempre o recebia no regresso com ásperas repreensões. O deus respondia com impaciência e isso provocava grandes discussões entre eles. Nessas ocasiões o céu escurecia e desencadeavam-se grandes tempestades de chuvas, com ventos, raios e trovões. 

Mas, no momento em que o casal se reconciliava aplacavam-se a fúria dos elementos do universo e tudo voltava à calmaria.
                       Geralmente esses aborrecimentos não duravam muito porque havia muito amor entre eles. Mas, um dia em que Júpiter se encontrava muito irritado, mais do que o de costume, Juno, exasperada, tomou uma decisão: 
                       - Vou abandonar o Olimpo; dessa forma não vou mais viver aqui.   E desapareceu num repente. 
                        Júpiter ficou muito triste com isso; queria sair à procura de sua amada Juno para trazê-la de volta ao palácio. Mas como era muito orgulhoso, não quiz dar o braço a torcer e ficou esperando que ela se arrependesse e voltasse espontaneamente. Como ela não voltava, ele teve de tomar uma decisão radical. 
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Nicéas Romeo Zanchett  
LEIA TAMBÉM > AS FÁBULAS DE ESOPO
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No próximo episódio você saberá qual foi a estratégia que o deus Júpiter usou para trazer de volta sua amada Juno.
Nicéas Romeo Zanchett

segunda-feira, 3 de junho de 2013

JÚPITER NO MONTE OLIMPO




JÚPITER NO MONTE OLIMPO 
                     Depois de restabelecer a paz, Júpiter escolheu o Monte Olimpo para sua residência oficial.  Uma altíssima montanha da Grécia; era uma elevação inacessível, ornamentada de alvíssimas geleiras  e coroada de nuvens. Em suas encostas íngremes e escarpadas, cresciam gigantescas árvores de luxuriantes e sombrias copas, entre viçosas trepadeiras floridas, torrentes de águas límpidas e cascatas rumorosas. 
                     No alto do monte, edificou um esplêndido palácio com paredes de mármore polido e tetos de ouro deslumbrante, completamente rodeado  de um pórtico, aberto para um vasto jardim.
                        A primavera ali reinava perenemente; todos os dias, entre a relva, abriam-se maravilhosas flores com suas brilhantes coroas. O ar era sempre fresquinho e a luz do sol brilhava com toda a sua pureza e esplendor. 
                      Na mais ampla sala do palácio estava o trono , todo de marfim, com incrustações de ouro e pedras preciosas, sobre o qual se sentava Júpiter, envolto num manto de púrpura: largas madeixas de seus cabelos encaracolados caíam-lhe sobre os ombros e sob a ampla testa, cercada por uma coroa de louros, brilhavam seus olhos azuis.  A seus pés estava sempre a rainha das aves, uma águia, para ele sagrada, cujos olhos, não temiam fixar o sol.

                      Na magnífica residência, reinava a mais completa paz; às vezes, quando alguma coisa o contrariava, Júpiter era acometido por impulsos de ira. Nesses momentos, grossas nuvens escuras se acumulavam no céu e cobriam o alto do Monte Olimpo, lançando sobre a terra grandes tempestades, sempre acompanhadas de relâmpagos e trovões. 
                    Porem, pouco a pouco as iras do deus iam se acalmando. Os ventos abrandavam-se e encurvava-se no céu um belo arco-íris multicolorido. Era a ninfa Íris, mensageira divina, que estendia no céu aquela faixa de sete luminosas cores. Este era o modo de Júpiter manifestar aos homens o seu supremo poder; desde os reis até o mais humilde mortal, todos sabiam que deviam temer a cólera e os castigos do deus. 
                       No palácio viviam também outros deuses, cuja vida era plácida e tranquila. De manhã bem cedo, uma bela jovem chamada Aurora, com cabelos cor de rosa, abria as portas do palácio e uma suave luz difundia-se pela abóbada celeste. Os deuses levantavam-se de seus leitos de ouro e púrpura e iam reunir-se na sala do trono.  Lá encontravam  uma grande mesa farta, bem preparada e banqueteavam-se alegremente; comiam ambrosia e bebiam néctar, especialmente preparados para eles; enquanto isso as nove Musas e as três Graças, formosas donzelas, entoavam harmoniosos cânticos e bailavam, executando graciosas danças, ao compasso de músicas de suavidade incrível. 
                     Hebe, a deusa da juventude, em taças de ouro, oferecia licores aos deuses, e todos que as beijavam nunca mais envelheciam. 
                     Em outro palácio, um tanto afastado de de Júpiter, habitavam as Parcas, filhas das trevas, cujos nomes eram Cloto, Laquéis e Átropos. As paredes desse palácio era de bronze e nelas estavam gravados o destino dos homens e o caminho dos astros. 
                   As três deusas, cobertas de véus brancos, constelados de estrelas e com coroas de narcisos, ficavam assentadas em fulgurantes tronos, tendo nas mãos os fusos com que fiavam lã. Com os fios brancos mesclavam-se outros dourados e negros. Fiavam a vida dos homens da terra. Os fios de ouro indicavam dias de felicidade e os negros marcavam os dias de desgraça. Quando uma vida chegava ao fim, a meada rompia-se; então morria aquela pessoa. 
Nicéas Romeo Zanchett
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LEIA TAMBÉM> AS FÁBULAS DE LA FONTAINE
No próximo episódio, você saberá como foi o casamento de Júpiter.
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Nicéas Romeo zanchett
 






sábado, 1 de junho de 2013

JÚPITER TOMA O PODER DE SEU PAI

                                             JÚPITER TOMA O PODER DE SEU PAI
                    Quando Júpiter se sentiu forte o bastante, procurou seu pai e o derrotou, tomando seu poder e expulsando-o do céu. E então, cheio de orgulho e autoridade, começou a reinar como soberano do mundo.
                     No início seu reinado não foi tranquilo, pois os titãs declararam guerra ao novo senhor do universo e resolveram atacar o céu, para derrotá-lo e arrebatar-lhe o trono. 
                      Seres poderosos, com seus enormes e musculosos braços, carregaram e acumularam pedras em grande quantidade, até formar uma alta montanha; do alto dessa montanha a multidão de seres atirou-se ao tremendo assalto para tomar-lhe o poder. 
                      Júpiter resolveu, então, chamar em seu auxílio os ciclopes, que tinham suas cavernas no centro da terra, onde trabalhavam na fusão de metais, sob as ordens e vigilância de três gigantes, cada um com cem braços e cinquenta cabeças. Quando Júpiter apareceu, os gigantes e ciclopes pararam seu trabalho para ouvi-lo. O silêncio que então se fez só era perturbado pelo poderoso movimento do imenso fole, que servia para soprar o fogo e mantê-lo aceso. No local havia enormes e crepitantes labaredas que estalavam como explosões de fogo. 
                       Júpiter então lhes disse: 
                       - Vim pedir vosso auxílio, pois os titãs querem assaltar o céu para destronar-me. Se me ajudarem contra eles, no fim da guerra eu os recompensarei libertando-os de vossa prisão subterrânea.  

                       - Nós lhe ajudaremos - responderam em coro os ciclopes e gigantes, cujas palavras estrondaram como a força dos trovões. Em poucos minutos armaram-se de flechas, machados, martelos de ferro e pedras para lutar.
                       Júpiter, seguido daquela legião de poderosos aliados, saiu para a superfície  da terra. Ressoou um clamoroso grito de guerra, que ecoou nas mais profundas cavernas e fez levantar os oceanos, cujas   ondas subiam espumantes a enormes alturas.
                        Os dois exércitos inimigos chocaram-se tremendamente, misturaram-se, confundiram-se, lutando em meio a uma tempestade de flechas e pedras. 
                         Durante longo tempo, a batalha manteve-se indecisa; mas, a certa altura da luta, apareceu Júpiter sobre um fulgurante carro de ouro e pedras preciosas, puxados por cavalos alados. Lançou-se contra os titãs, fazendo com que os fortes e ágeis cavalos levassem seu carro a grande velocidade. 
 


Ouviu-se então uma forte descarga, a que se seguiu o estrondo de um trovão; o grande deus havia desferido o seu primeiro e fulminante raio. Seguiu-se outras e outras descargas, sempre fuzilando poderosos raios... A atmosfera escureceu-se, e era de momento a momento iluminada pelos raios, que mais pareciam poderosas setas de fogo. Caíam em sobre os monstros, incendiando-os e exterminando-os. 
                         Os ciclopes, soltando horrendos brados de vitória, iam sepultando os titãs sob montões de pedras.
                          E assim terminou a guerra. E o mundo, livre dos monstros que o dominavam, sorriu feliz ante a imponente figura luminosa e a radiante fronte do vitorioso deus. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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No próximo episódio, Júpiter reina poderoso no Monte Olimpo.